quinta-feira, 27 de outubro de 2011

        Esta música nós professores e alunos da Educação Infantil das turma Maternal e  Jardins b e c da Escola Santa Terezinha iremos apresentar e dramatizar na Festa Da Família da escola, um evento que acontece todos os anos na escola para envolver ainda mais a Família com a escola. 


Um Novo Lugar

Eu aprendi que a Terra é um lugar lindo de viver
Que a natureza é a razão pra vida aqui acontecer
Não importa de onde vem
Não importa raça, cor, religião pra ser do bem

A amizade de vocês me ensinou uma lição
Jogar fora demais não dá
Reciclar é solução
Viver bem do que se tem
Proteger nosso futuro e ser exemplo pra alguém

Atitudes pra mudar
Mais ações pra ensinar
Ser uma geração do bem

Quem curar a nossa Terra vai ser mais feliz
Vai colher o melhor fruto de uma só raíz
Quem cuidar do nosso mundo vai poder criar
Um novo lugar pra se morar

Viver em paz é a missão que a gente quer realizar
Se for difícil, tudo bem
Nós temos forças pra mudar
São milhões de corações
Diferentes pra pulsar, pra espalhar a nossa voz

Atitudes pra mudar
Mais ações pra ensinar
Ser uma geração do bem

Quem curar a nossa Terra vai ser mais feliz (Vai ser mais feliz)
Vai colher o melhor fruto de uma só raíz (De uma só raíz)
Quem cuidar do nosso mundo vai poder criar (Vai poder criar)
Um novo lugar pra se morar

Quem curar a nossa Terra vai ser mais feliz (Vai ser mais feliz)
Vai colher o melhor fruto de uma só raíz (De uma só raíz)
Quem cuidar do nosso mundo vai poder criar (Vai poder criar)
Um novo lugar pra se morar

Lá, lá, lá...

Um novo lugar pra se morar


PROJETO: MEIO AMBIENTE

PROJETO AMBIENTAL RECICLANDO IDÉIAS




JUSTIFICATIVA:

         A medida em que o ser humano aumenta a sua capacidade de intervir na natureza, utilizando seus recursos tecnológicos para extrair do meio ambiente tudo aquilo que deseja. O uso indevido dos recursos não renováveis ou a poluição dos recursos renováveis são fatores que ameaçam a sobrevivência dos seres.Existem vários fatores que contribuem para a degradação da natureza, são eles: esgotamento do solo, poluição sonora provocada por barulho de automóveis, máquinas etc,poluição do ar da água e dos solos, destruição da camada de ozônio e muitos outros.Este projeto busca formar o senso crítico na criança, estimulando-a retirar da natureza somente o que é necessário para sua sobrevivência, mostrando para as crianças que o meio ambiente não pertence a elas, mas que elas estão inseridas nele.
          O cidadão que se preocupa com o ambiente em que vive precisa mudar sua forma de pensar e passar a agir com responsabilidade, sensibilidade e respeito.
          O pequeno de hoje será o adulto empreendedor de amanhã, se não formar uma consciência da importância de cuidar da natureza com cautela, irá agir de forma mesquinha, utilizando a natureza de forma desordenada e gananciosa, se for responsável e consciente irá se integrar ao meio ambiente, tornando-se parte dele só retirando dele aquilo que realmente necessita.
Nós educadores devemos buscar a construção de uma consciência crítica pelos alunos, de modo a formar cidadãos éticos e humanos. É muito importante orientar as crianças a lidar com a natureza, tendo como objetivo despertar nos pequenos uma postura crítica frente à realidade das informações e os valores trazidos de casa ou veiculados pela mídia, pois os assuntos ambientais não são apenas de interesse individual, mas do coletivo, ou seja, são de interesse planetário. Este projeto busca ampliar as noções já elaboradas das crianças sobre o meio ambiente, nas suas mais variadas formas, pois a gente só protege e cuida daquilo que conhece e ama, é mais do que ensinar a criança a não poluir é educar o pequeno para que corrija aquele que ainda não aprendeu a tratar a natureza com o respeito que ela merece.Como nos dias de hoje estamos sempre com pouco tempo para realizar todas as tarefas que precisamos fazer, tendo pouco ou nenhum tempo dedicado a cuidar da boa alimentação, descanso e lazer, as indústrias criam novos meios de “facilitar” nossa vida, fabricando produtos em embalagens descartáveis que consomem matéria – prima e arrasam a natureza, cabe ao educador despertar na criança o patrulheiro ambiental, que irá fiscalizar e proteger a natureza.



OBJETIVOS

*Investir na mudança e transformação do pensamento, visando uma qualidade de vida que se relacione com a preservação da natureza

*Conhecer e integrar as diferentes formas de caracterizar o meio ambiente;

*Adotar postura crítica, dentro e fora da escola, que vise interações construtivas com o meio ambiente;

* Identificar a necessidade real de extrair elementos da natureza da ganância destrutiva, a fim de preservar o meio ambiente;

*Valorizar a diversidade ambiental;

*Identificar-se como parte integrante ( e importante) na formação do meio ambiente;

*Desenvolver valores e atitudes de respeito com a natureza;

*Despertar a consciência ecológica de preservação e respeito pela natureza, através do reaproveitamento de materiais;

*Conscientizar a criança da importância das plantas e da natureza, mesmo no ambiente urbano;

*Identificar a utilidade das plantas e da natureza na saúde, na produção de remédios e na alimentação do ser humano;

*Conhecer o desenvolvimento das plantas e o que necessita para sobreviver;

*Apreciar a natureza que nos rodeia.

ALGUNS TEMAS ABORDADOS:

SOLO: O que é solo?
Alguns tipos de solo (areia, barro, argila...)
Poluição do solo e conseqüências

LIXO: O que é lixo?
Tipos de lixo ( seco e orgânico) e sua separação
Lixo tóxico e conseqüências
Coleta de lixo e armazenamento( lixo industrial e médico)

ÁGUA: Onde encontramos?
Para que utilizamos?
De que formas podemos encontrá-la? (os estados)
Conseqüências de sua poluição

RECICLAGEM: De embalagens de isopor
De caixas de ovos
Sucatas variadas
Embalagens de refrigerante

PLANTAS:
Como crescem?
Suas utilidades?
Plantas que utilizamos na alimentação?
Plantas medicinais


Utilidades das plantas:
Alimentação: árvores que produzem frutas, sementes e legumes. Realizar o mural de sementes e grãos com o nome da árvore e da fruta ou legume ao qual pertencem.

Remédios: Coletar folhas, sementes, cascas e raízes (ervas, chás e temperos).

Perfumes: Muitas plantas são utilizadas na confecção de perfumes, pesquisar sobre,elas.

Utilidade: Purificação do ar, sombra, conservação da umidade da terra e oxigênio.

ALGUMAS SUGESTÕES DE ATIVIDADES:


*Criação de uma patrulha ambiental encarregada de fiscalizar os ambientes e as pessoas que ele ocupam;

*Conversação, debate, pesquisa e atividades que motivem a descoberta do meio;

*Confecção de roupas e acessórios utilizando sucatas;

*Desfile das peças confeccionadas;

*Leilão das peças confeccionadas com sucata;

*Máscaras de papel machê;

*Apresentação de teatro utilizando as máscaras;

*Separação do lixo seco e orgânico;

*Música;

*Experiências

*Horta ecológica;



DICAS:
Nas revistas de Educação Infantil tem bastante atividade para realizar utilizando sucata.
REVISTA "GUIA PRÁTICO PRA PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL"

# Recolher várias folhas no pátio ou em torno da escola, em sala, comparar as folhas, concluir que as folhas são igual as pessoas, cada uma é diferente, em sua forma, tamanho, cor, textura e utilidade. Existem plantas que podemos usar na alimentação, outras podemos utilizar como medicamento, algumas plantas servem para enfeitar e nos proporcionar a sombra. Depois de conversar sobre as folhas colocá-las em baixo de uma folha de ofício e com o giz de cera deitado pintar esta folha, para surpresa das crianças aparecerá o contorno das folhas. Para turmas mais avançadas pode-se elaborar um álbum com as folhas e o nome das árvores as quais pertencem e sua utilidade (alimentação, medicamentos, decoração, sombra, madeira...);
# Plantio de sementes (arroz, feijão, lentilha) para que as crianças observem seu desenvolvimento (sua partes como raiz, caule, folhas...) e o que necessitam para crescer (água, ar e luz). È importante fazer uma experiência com os pequenos, cada um planta sua sementinha em um potinho com algodão e coloca em uma janela para receber água e luz, a professora faz outros 2 potinhos onde um não receberá água e o outro não receberá luz, assim poderão perceber o que as plantinhas necessitam para crescer. Os mais velhos podem registrar com desenhos as suas observações;
# É importante falar sobre os desmatamentos, queimadas e atos de vandalismo na natureza, como poluição do solo e da água e despertar na criança a consciência de preservação, indo além do não poluir, mas chamando atenção para atitudes erradas de quem ainda precisa de ajuda. Já existem empresas que se preocupam com isto e produzem peças com madeiras “reflorestadas”;
# Alguns plantas são cultivadas e crescem com o uso de agrotóxico, que é semelhante ao remédio que tomamos quando estamos doentes, só que mais forte. Mostre para as crianças a importância de consumir alimentos limpos. Uma boa atividade é a manutenção de uma horta ecológica, com alimentos a serem utilizados nas refeições oferecidas pela escola. Incentivá-los no plantio de árvores frutíferas, plantadas ao redor da escola também auxilia a despertar nos pequenos a consciência ecológica. Existem materiais que podem ser reaproveitados, assim, evitamos o desperdício e exploração desnecessária dos recursos naturais, chamamos de reciclagem. Uma ótima atividade é a separação de todo lixo da escola e lixeiras separadas (lixo seco e lixo orgânico), construções significativas com sucatas são excelentes recursos didáticos, veja algumas sugestões:
· Utilizando garrafas de 2 litros plásticas podemos fazer porta lápis, porta papel higiênico, floreiras, vai e vém, bilboquê e muitas outras coisas que nossa criatividade permitir; Utilizando o lacre das latinhas podemos construir roupas, gravatas, pulseiras etc... Com caixinhas e potes de conservas podemos forrá-los e enfeitá-los usando-os para guardar brinquedos e jogos;
·Com potinhos de iogurte podemos confeccionar um jogo da memória,
·Com caixinhas de fósforos podemos construir um jogo da velha.
·Com tampinhas plásticas podemos construir um jogo de damas.

# A árvore da turma: Construir com papel pardo um tronco de árvore, as “ folhas “ serão pratos de plástico com a marca da mão da criança com guache, seu nome e uma palavra ou frase sobre a natureza, este cartaz deve ficar exposto para os pais. Com sucata construir roupas e outros objetos utilitários, com bandeja de isopor (fundo de pizza ou fundo de carnes) construir quadros para os pais enfeitarem a parede. Depois fazer um leilão das obras de arte para arrecadar fundos para a escola.  Campanha de conscientização no bairro, visitar as casas e conversar com os moradores sobre desperdício de água para lavar calçadas ou carros e sobre a coleta seletiva de lixo ( a ABEPAN fornece panfletos e os horários dos caminhões para a coleta de lixo reciclável). Cada turma fará uma limpeza na escola e em torno da mesma, os menores recolhem lixo do pátio e em volta a escola, os maiores podem fazer a volta na quadra.
# Escrever uma carta para o prefeito solicitando uma lata de lixo grande com a separação dos lixos, para ser colocada na frente da escola e servir toda a comunidade.
# O projeto pode ser encerrado no dia da árvore, juntamente com uma campanha conscientizando os motoristas sobre os perigos do trânsito. Um lugar ideal é em frente aos bombeiros, conversar no Detram com a Fabiana, ela oferece vários azuizinhos além de barreiras para que as crianças fiquem seguras na hora de conversar com os motoristas. Sugiro solicitar mudinhas de árvores frutíferas na ABEPAN, para entregar aos motoristas, juntamente com a seguinte frase: “ Cada flor que nasce, cada criança que chega ao mundo, traz a grande notícia: Deus ainda não está cansado dos homens. PRESERVE A NATUREZA”. Colocar a logomarca da escola em cada mensagem.



                  GINÁSTICA HISTORIADA:Cada criança deve dramatizar a história, na medida em que a educadora vai narrando, alguns podem ser a menina, outros a sementinha, outros a chuva e outros o solzinho, ou as crianças podem ser a sementinha, enquanto a educadora dramatiza os personagens restantes.

                 Era uma vez uma menina que se preocupava muito com as plantinhas, certo dia ela cavou um buraquinho na areia bem fofa, dentro dele colocou uma linda sementinha, ( agora as crianças serão a sementinha). A sementinha era bem pequenina e estava toda encolhidinha, como que se estivesse sentindo muito, muito frio, mas ficou paradinha ali na terra fofinha como se estivesse dormindo. De repente começou a sentir uma sensação muito agradável, a sementinha então, se sentia protegida. Logo pela manhã o sol chegou, seus raiozinhos aos poucos penetraram a terra e aqueceram a sementinha, que acordou com o calorzinho. Quando veio a chuva suas gotinhas fininhas penetraram a areia fofinha e deram um gostoso beijinho na sementinha, feliz, a sementinha começou a erguer seus bracinhos, procurando pelas gotinhas de chuva e pelo calorzinho do sol. Aos poucos a plantinha começa a ganhar folhinhas.  A noite chega e a lua prateada joga o orvalho para a plantinha, que logo estica suas folhinhas para recebê-lo e é saudada pelas estrelas. Cada dia que passava, a plantinha crescia mais, mais e mais. Suas raízes ficaram profundas, bem dentro da terra, seu caule estava grande e forte e sustentava muitas folhas, toda vez que ventava ela segurava as folhinhas para lá e para cá... (Utilizar a música a sementinha, Beto Hermann)


               A SEMENTINHA: Era uma vez uma sementinha... Tão pequenina e tão simplesinha, Com carinho foi plantada e com amor foi cultivada.De repente o que aconteceu?Uma plantinha de lá nasceu. Uma bela árvore agora vai se tornarJunto conosco ela vai crescer, bons amigos iremos nos tornar.







Dica de materiais:
DICA DE PROJETO SOBRE O MEIO AMBIENTE:

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

         Este documento constitui-se em um conjunto de referências e orientações pedagógicas que visam a contribuir com a implantação ou implementação de práticas educativas de qualidade que possam promover e ampliar as condições necessárias para o exercício da cidadania das crianças brasileiras.
Sua função é contribuir com as políticas e programas de educação infantil, socializando informações, discussões e pesquisas, subsidiando o trabalho educativo de técnicos, professores e demais profissionais da educação infantil e apoiando os sistemas de ensino estaduais e municipais.
Considerando-se as especificidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças de zero a seis anos, a qualidade das experiências oferecidas que podem contribuir para o exercício da cidadania devem estar embasadas nos seguintes princípios educativos:
  • o respeito à dignidade e aos direitos das crianças, consideradas nas suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, religiosas, etc.;
  • o direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil;
  • o acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando o desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à comunicação, aos afetos, à interação social, ao pensamento, à ética e à estética;
  • a socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma;
  • o atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência e ao desenvolvimento de sua identidade.
A estes princípios cabe acrescentar que as crianças têm direito, antes de tudo, de viver experiências prazerosas nas instituições.
          O conjunto de propostas aqui expressas responde às necessidades de referências nacionais, como ficou explicitado em um estudo recente elaborado pelo Ministério da Educação e do Desporto, que resultou na publicação do documento "Proposta pedagógica e currículo em educação infantil: um diagnóstico e a construção de uma metodologia de análise". Nesse documento, constatou-se que são inúmeras e diversas as propostas de currículo para a educação infantil que têm sido elaboradas, nas últimas décadas, em várias partes do Brasil. Essas propostas, tão diversas e heterogêneas quanto o é a sociedade brasileira, refletem o nível de articulação de três instâncias determinantes na construção de um projeto educativo para a educação infantil. São elas: a das práticas sociais, a das políticas públicas e a da sistematização dos conhecimentos pertinentes a essa etapa educacional. Porém, se essa vasta produção revela a riqueza de soluções encontradas nas diferentes regiões brasileiras, ela revela, também, as desigualdades de condições institucionais para a garantia da qualidade nessa etapa educacional.
        Considerando e respeitando a pluralidade e diversidade da sociedade brasileira e das diversas propostas curriculares de educação infantil existentes, este Referencial é uma proposta aberta, flexível e não obrigatória, que poderá subsidiar os sistemas educacionais, que assim o desejarem, na elaboração ou implementação de programas e currículos condizentes com suas realidades e singularidades. Seu caráter não obrigatório visa a favorecer o diálogo com propostas e currículos que se constroem no cotidiano das instituições, sejam creches, pré-escolas ou nos diversos grupos de formação existentes nos diferentes sistemas.
       Nessa perspectiva, o uso deste Referencial só tem sentido se traduzir a vontade dos sujeitos envolvidos com a educação das crianças, sejam pais, professores, técnicos e funcionários de incorporá-lo no projeto educativo da instituição ao qual estão ligados.
         Se por um lado, o Referencial pode funcionar como elemento orientador de ações na busca da melhoria de qualidade da educação infantil brasileira, por outro, não tem a pretensão de resolver os complexos problemas dessa etapa educacional. A busca da qualidade do atendimento envolve questões amplas ligadas às políticas públicas, às decisões de ordem orçamentária, à implantação de políticas de recursos humanos, ao estabelecimento de padrões de atendimento que garantam espaço físico adequado, materiais em quantidade e qualidade suficientes e à adoção de propostas educacionais compatíveis com a faixa etária nas diferentes modalidades de atendimento, para as quais este Referencial pretende dar sua contribuição.


Brasil: Crianças de 0 a 6 anos de idade, residentes em domicílios particulares permanentes,
por classes de rendimento familiar per capita, segundo grupos de idade - 1995
Classes de rendimento
Faixa de idade
Total
Até ½ SM
+ de 1/2 a 1 SM
mais de 1 a 2 SM
mais de 2 SM
s/rend.
s/decl.
0 a 6 anos
21.375.192
8.264.317
4.786.933
3.633.225
3.119.560
1.219.776
351.381
0 a 3 anos
12.073.480
4.654.328
2.698.755
2.006.024
1.665.337
855.222
193.814
4 a 6 anos
9.301.712
3.609.989
2.088.178
1.627.201
1.454.223
364.554
157.567
Freqüentam creche ou pré-escola
0 a 6 anos
5.358.400
1.590.226
1.122.296
1.023.799
1.343.594
173.417
105.014
0 a 3 anos
912.624
239.541
154.115
147.763
316.555
35.459
19.191
4 a 6 anos
4.445.776
1.350.685
968.181
876.036
1.027.039
138.012
85.823
Freqüentam creche ou pré-escola (percentual)
0 a 6 anos
25,1
19,2
23,4
28,2
43,1
14,2
29,9
0 a 3 anos
7,6
5,1
5,7
7,4
19,0
4,1
9,9
4 a 6 anos
47,8
37,4
46,4
53,8
70,6
37,9
54,5
FONTE: IBGE - PNAD 1995



        O atendimento institucional à criança pequena, no Brasil e no mundo, apresenta ao longo de sua história concepções bastante divergentes sobre sua finalidade social. Grande parte dessas instituições nasceram com o objetivo de atender exclusivamente às crianças de baixa renda. O uso de creches e de programas pré-escolares como estratégia para combater a pobreza e resolver problemas ligados à sobrevivência das crianças foi durante muitos anos justificativa para a existência de atendimentos de baixo custo, com aplicações orçamentárias insuficientes, escassez de recursos materiais; precariedade de instalações; formação insuficiente de seus profissionais e alta proporção de crianças por adulto.
        Constituir-se em um equipamento só para pobres, principalmente no caso das instituições de educação infantil, financiadas ou mantidas pelo poder público, significou em muitas situações atuar de forma compensatória para sanar as supostas faltas e carências das crianças e de suas famílias. A tônica do trabalho institucional foi pautada por uma visão que estigmatizava a população de baixa renda. Nessa perspectiva, o atendimento era entendido como um favor oferecido para poucos, selecionados por critérios excludentes. A concepção educacional era marcada por características assistencialistas, sem considerar as questões de cidadania ligadas aos ideais de liberdade e igualdade.
       Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. Envolve, principalmente, assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância, as relações entre classes sociais, as responsabilidades da sociedade e o papel do Estado diante das crianças pequenas.
       Embora haja um consenso sobre a necessidade de que a educação para as crianças pequenas deva promover a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos e sociais da criança, considerando que esta é um ser completo e indivisível, as divergências estão exatamente no que se entende sobre o que seja trabalhar com cada um desses aspectos.
        Há práticas que privilegiam os cuidados físicos, partindo de concepções que compreendem a criança pequena como carente, frágil, dependente e passiva, e que levam à construção de procedimentos e rotinas rígidas, dependentes todo o tempo da ação direta do adulto. Isso resulta em períodos longos de espera entre um cuidado e outro, sem que a singularidade e individualidade de cada criança seja respeitada. Essas práticas tolhem a possibilidade de independência e as oportunidades das crianças de aprenderem sobre o cuidado de si, do outro e do ambiente. Em concepções mais abrangentes os cuidados são compreendidos como aqueles referentes à proteção, saúde e alimentação, incluindo as necessidades de afeto, interação, estimulação, segurança e brincadeiras que possibilitem a exploração e a descoberta.
        Outras práticas têm privilegiado as necessidades emocionais apresentando os mais diversos enfoques ao longo da história do atendimento infantil. A preocupação com o desenvolvimento emocional da criança pequena resultou em propostas nas quais, principalmente nas creches, os profissionais deveriam atuar como substitutos maternos. Outra tendência foi usar o espaço de educação infantil para o desenvolvimento de uma pedagogia relacional, baseada exclusivamente no estabelecimento de relações pessoais intensas entre adultos e crianças.
        Desenvolvimento cognitivo é outro assunto polêmico presente em algumas práticas. O termo "cognitivo" aparece ora especificamente ligado ao desenvolvimento das estruturas do pensamento, ou seja, das capacidades de generalizar, recordar, formar conceitos e raciocinar logicamente, ora se referindo a aprendizagens de conteúdos específicos. A polêmica entre a concepção que entende que a educação deve principalmente promover a construção das estruturas cognitivas e aquela que enfatiza a construção de conhecimentos como meta da educação, pouco contribui porque o desenvolvimento das capacidades cognitivas do pensamento humano mantém uma relação estreita com o processo das aprendizagens específicas que as experiências educacionais podem proporcionar.
        Polêmicas sobre cuidar e educar, sobre o papel do afeto na relação pedagógica e sobre educar para o desenvolvimento ou para o conhecimento têm constituído, portanto, o panorama de fundo sobre o qual se constroem as propostas em educação infantil.
          A elaboração de propostas educacionais, veicula necessariamente concepções sobre criança, educar, cuidar e aprendizagem, cujos fundamentos devem ser considerados de maneira explícita.

        A concepção de criança é uma noção historicamente construída e conseqüentemente vem mudando ao longo dos tempos, não se apresentando de forma homogênea nem mesmo no interior de uma mesma sociedade e época. Assim é possível que, por exemplo, em uma mesma cidade existam diferentes maneiras de se considerar as crianças pequenas dependendo da classe social a qual pertencem, do grupo étnico do qual fazem parte. Boa parte das crianças pequenas brasileiras enfrentam um cotidiano bastante adverso que as conduz desde muito cedo a precárias condições de vida e ao trabalho infantil, ao abuso e exploração por parte de adultos. Outras crianças são protegidas de todas as maneiras, recebendo de suas famílias e da sociedade em geral todos os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. Essa dualidade revela a contradição e conflito de uma sociedade que não resolveu ainda as grandes desigualdades sociais presentes no cotidiano.
       A criança como todo ser humano, é um sujeito social e histórico faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca. A criança tem na família, biológica ou não, um ponto de referência fundamental, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais.
       As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. Nas interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem, as relações contraditórias que presenciam e, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos. No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e como o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade mas sim fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação.
        Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças.


        Nas últimas décadas, os debates em nível nacional e internacional apontam para a necessidade de que as instituições de educação infantil incorporem de maneira integrada as funções de educar e cuidar, não mais diferenciando nem hierarquizando os profissionais e instituições que atuam com as crianças pequenas e/ou aqueles que trabalham com as maiores. As novas funções para a educação infantil devem estar associadas a padrões de qualidade. Essa qualidade advém de concepções de desenvolvimento que consideram as crianças nos seus contextos sociais, ambientais, culturais e, mais concretamente, nas interações e práticas sociais que lhes fornecem elementos relacionados às mais diversas linguagens e ao contato com os mais variados conhecimentos para a construção de uma identidade autônoma.
       A instituição de educação infantil deve tornar acessível a todas as crianças que a freqüentam, indiscriminadamente, elementos da cultura que enriquecem o seu desenvolvimento e inserção social. Cumpre um papel socializador, propiciando o desenvolvimento da identidade das crianças, por meio de aprendizagens diversificadas, realizadas em situações de interação.
       Na instituição de educação infantil, pode-se oferecer às crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e aquelas advindas de situações pedagógicas intencionais ou aprendizagens orientadas pelos adultos. É importante ressaltar, porém, que essas aprendizagens, de natureza diversa, ocorrem de maneira integrada no processo de desenvolvimento infantil.
       Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. Neste processo, a educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.


Cuidar
        Contemplar o cuidado na esfera da instituição da educação infantil significa compreendê-lo como parte integrante da educação, embora possa exigir conhecimentos, habilidades e instrumentos que extrapolam a dimensão pedagógica. Ou seja, cuidar de uma criança em um contexto educativo demanda a integração de vários campos de conhecimentos e a cooperação de profissionais de diferentes áreas.
      A base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a desenvolver-se enquanto ser humano. Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e implica em procedimentos específicos.
       O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais, que envolvem a dimensão afetiva e dos cuidados com o aspectos biológicos do corpo, como a qualidade da alimentação e dos cuidados com a saúde, quanto da forma como esses cuidados são oferecidos e das oportunidades de acesso a conhecimentos variados.
       As atitudes e procedimentos de cuidado são influenciadas por crenças e valores em torno da saúde, da educação e do desenvolvimento infantil. Embora as necessidades humanas básicas sejam comuns, como alimentar-se, proteger-se, etc. as formas de identificá-las, valorizá-las e atendê-las são construídas socialmente. As necessidades básicas, podem ser modificadas e acrescidas de outras de acordo com o contexto sociocultural. Pode-se dizer que além daquelas que preservam a vida orgânica, as necessidades afetivas são também base para o desenvolvimento infantil.
         A identificação dessas necessidades sentidas e expressas pelas crianças, depende também da compreensão que o adulto tem das várias formas de comunicação que elas, em cada faixa etária possuem e desenvolvem. Prestar atenção e valorizar o choro de um bebê e responder a ele com um cuidado ou outro depende de como é interpretada a expressão de choro, e dos recursos existentes para responder a ele. É possível que alguns adultos conversem com o bebê tentando acalmá-lo, ou que peguem-no imediatamente no colo, embalando-o. Em determinados contextos socioculturais, é possível que o adulto que cuida da criança, tendo como base concepções de desenvolvimento e aprendizagem infantis, de educação e saúde, acredite que os bebês devem aprender a permanecer no berço, após serem alimentados e higienizados, e portanto não considerem o embalo como um cuidado, mas como uma ação que pode "acostumar mal" a criança. Em outras culturas, o embalo tem uma grande importância no cuidado de bebês, tanto que existem berços próprios para embalar.
       O cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo. Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção à saúde. Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseados em conhecimentos específicos sobre o desenvolvimento biológico, emocional, e intelectual das crianças, levando em consideração as diferentes realidades socioculturais.
        Para cuidar é preciso antes de tudo estar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser solidário com suas necessidades, confiando em suas capacidades. Disso depende a construção de um vínculo entre quem cuida e quem é cuidado.
         Além da dimensão afetiva e relacional do cuidado, é preciso que o professor possa ajudar a criança a identificar suas necessidades e priorizá-las, assim como atendê-las de forma adequada. Assim, cuidar da criança é sobretudo dar atenção a ela como pessoa que está num contínuo crescimento e desenvolvimento, compreendendo sua singularidade, identificando e respondendo às suas necessidades. Isto inclui interessar-se sobre o que a criança sente, pensa, o que ela sabe sobre si e sobre o mundo, visando à ampliação deste conhecimento e de suas habilidades, que aos poucos a tornarão mais independente e mais autônoma.


Brincar
       Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições, sejam elas mais voltadas às brincadeiras ou às aprendizagens que ocorrem por meio de uma intervenção direta.
A brincadeira é uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que é o "não-brincar". Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das idéias, de uma realidade anteriormente vivenciada.
       Isso significa que uma criança que, por exemplo, bate ritmicamente com os pés no chão e imagina-se cavalgando um cavalo, está orientando sua ação pelo significado da situação e por uma atitude mental e não somente pela percepção imediata dos objetos e situações.
No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando.
       O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto brincam. Ao adotar outros papéis na brincadeira, as crianças agem frente à realidade de maneira não-literal, transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações e características do papel assumido, utilizando-se de objetos substitutos.
       A brincadeira favorece a auto estima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto, no âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de constituição infantil.
       Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca. Por exemplo, para assumir um determinado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer alguma de suas características. Seus conhecimentos provém da imitação de alguém ou de algo conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema ou narradas em livros, etc. A fonte de seus conhecimentos é múltipla mas estes encontram-se, ainda, fragmentados. É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações.
       Para brincar é preciso que as crianças tenham certa independência para escolher seus companheiros e os papéis que irão assumir no interior de um determinado tema e enredo, cujos desenvolvimentos dependem unicamente da vontade de quem brinca.
      Pela oportunidade de vivenciar brincadeiras imaginativas e criadas por elas mesmas, as crianças podem acionar seus pensamentos para a resolução de problemas que lhe são importantes e significativos. Propiciando a brincadeira, portanto, cria-se um espaço no qual as crianças podem experimentar o mundo e internalizar uma compreensão particular sobre as pessoas, os sentimentos e os diversos conhecimentos.
       O brincar apresenta-se por meio de várias categorias de experiências que são diferenciadas pelo uso do material ou dos recursos predominantemente implicados. Essas categorias incluem: o movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da mobilidade física das crianças; a relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a combinação e associação entre eles; a linguagem oral e gestual que oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se referem à forma como o universo social se constrói; e, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar. Estas categorias de experiências podem ser agrupadas em três modalidades básicas, quais sejam, brincar de faz-de-conta ou com papéis, considerada como atividade fundamental da qual se originam todas as outras; brincar com materiais de construção e brincar com regras.
        As brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e aqueles que possuem regras, como os jogos de sociedade (também chamados de jogos de tabuleiro), jogos tradicionais, didáticos, corporais, etc., propiciam a ampliação dos conhecimentos infantis por meio da atividade lúdica.
          É o adulto, na figura do professor, portanto, que, na instituição infantil, ajuda a estruturar o campo das brincadeiras na vida das crianças. Conseqüentemente é ele que organiza sua base estrutural, por meio da oferta de determinados objetos, fantasias, brinquedos ou jogos, da delimitação e arranjo dos espaços e do tempo para brincar.
Por meio das brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular, registrando suas capacidades de uso das linguagens assim como de suas capacidades sociais e dos recursos afetivos e emocionais que dispõem.
        A intervenção intencional baseada na observação das brincadeiras das crianças, oferecendo-lhes material adequado assim como um espaço estruturado para brincar permite o enriquecimento das competências imaginativas, criativas e organizacionais infantis. Cabe ao professor organizar situações para que as brincadeiras ocorram de maneira diversificada para propiciar às crianças a possibilidade de escolherem os temas, papéis, objetos e companheiros com quem brincar ou os jogos de regras e de construção, e assim elaborarem de forma pessoal e independente suas emoções, sentimentos, conhecimentos e regras sociais.
       É preciso que o professor tenha consciência que na brincadeira as crianças recriam e estabilizam aquilo que sabem sobre as mais diversas esferas do conhecimento, em uma atividade espontânea e imaginativa. Nessa perspectiva não se deve confundir situações nas quais se objetiva determinadas aprendizagens relativas a conceitos, procedimentos ou atitudes explícitas com aquelas nas quais os conhecimentos são experimentados de uma maneira espontânea e destituída de objetivos imediatos pelas crianças. Pode-se, entretanto, utilizar os jogos, especialmente aqueles que possuem regras, como atividades didáticas. É preciso, porém, que o professor tenha consciência que as crianças não estarão brincando livremnente nestas situações, pois há objetivos didáticos em questão.


Aprender em situações orientadas
       A organização de situações de aprendizagens orientadas ou que dependem de uma intervenção direta do professor permite que as crianças trabalhem com diversos conhecimentos. Estas aprendizagens devem estar baseadas não apenas nas propostas dos professores mas, essencialmente, na escuta das crianças e na compreensão do papel que desempenham a experimentação e o erro na construção do conhecimento.
      A intervenção do professor é necessária para que, na instituição de educação infantil, as crianças possam, em situações de interação social ou sozinhas, ampliar suas capacidades de apropriação dos conceitos, dos códigos sociais e das diferentes linguagens, por meio da expressão e comunicação de sentimentos e idéias, da experimentação, da reflexão, da elaboração de perguntas e respostas, da construção de objetos e brinquedos, etc. Para isso, o professor deve conhecer e considerar as singularidades das crianças de diferentes idades assim como a diversidade de hábitos, costumes, valores, crenças, etnias etc. das crianças com as quais trabalha respeitando suas diferenças e ampliando suas pautas de socialização. Nessa perspectiva, o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas.
Para que as aprendizagens infantis ocorram com sucesso, é preciso que o professor considere, na organização do trabalho educativo:
  • a interação com crianças da mesma idade e de idades diferentes em situações diversas como fator de promoção da aprendizagem e do desenvolvimento e da capacidade de relacionar-se;
  • os conhecimentos prévios de qualquer natureza, que as crianças já possuem sobre o assunto, já que elas aprendem por meio de uma construção interna ao relacionar suas idéias com as novas informações de que dispõem e com as interações que estabelece;
  • a individualidade e a diversidade;
  • o grau de desafio que as atividades apresentam e o fato de que devam ser significativas e apresentadas de maneira integrada para as crianças e o mais próximas possíveis das práticas sociais reais;
  • a resolução de problemas como forma de aprendizagem.
Essas considerações podem estruturar-se nas seguintes condições gerais relativas às aprendizagens infantis a serem seguidas pelo professor em sua prática educativa.


Interação
       A interação social em situações diversas é uma das estratégias mais importantes do professor para a promoção de aprendizagens pelas crianças. Assim, cabe ao professor propiciar situações de conversa, brincadeiras ou de aprendizagens orientadas que garantam a troca entre as crianças, de forma a que possam comunicar-se e expressar-se, demonstrando seus modos de agir, de pensar e de sentir, em um ambiente acolhedor e que propicie a confiança e a auto-estima. A existência de um ambiente acolhedor, porém, não significa eliminar os conflitos, disputas e divergências presentes nas interações sociais mas pressupõe que o professor forneça elementos afetivos e de linguagem para que as crianças aprendam a conviver, buscando as soluções mais adequadas para as situações com as quais se defrontam diariamente. As capacidades de interação, porém, são também desenvolvidas quando as crianças podem ficar sozinhas, quando elaboram suas descobertas e sentimentos e constróem um sentido de propriedade para as ações e pensamentos já compartilhados com outras crianças e com os adultos, o que vai potencializar novas interações. Nas situações de troca, podem desenvolver os conhecimentos e recursos de que dispõem, confrontando-os e reformulando-os.
       Nessa perspectiva, o professor deve refletir e discutir com seus pares sobre os critérios utilizados na organização dos agrupamentos e das situações de interação, mesmo entre bebês, visando, sempre que possível, a auxiliar as trocas entre as crianças e, ao mesmo tempo, garantir-lhes o espaço da individualidade. Assim, em determinadas situações, é aconselhável que crianças com níveis de desenvolvimento diferenciados interajam; em outras, deve-se garantir uma proximidade de crianças com interesses e níveis de desenvolvimento semelhantes. Propiciar a interação quer dizer, portanto, considerar que as diferentes formas de sentir, expressar e comunicar a realidade pelas crianças resultam em respostas diversas que são trocadas entre elas e que garantem parte significativa de suas aprendizagens. Uma das formas de propiciar essa troca é a socialização de suas descobertas, quando o professor organiza as situações para que as crianças compartilhem seus percursos individuais na elaboração dos diferentes trabalhos realizados.
       Portanto, é importante frisar que as crianças se desenvolvem em situações de interação social, nas quais conflitos e negociação de sentimentos, idéias e soluções são elementos indispensáveis.
       O âmbito social oferece, portanto, ocasiões únicas para elaborar estratégias de pensamento e de ação, possibilitando a ampliação das hipóteses infantis. Pode-se estabelecer, nesse processo, uma rede de reflexão e construção de conhecimentos na qual tanto os parceiros mais experientes quanto os menos experientes têm seu papel na interpretação e ensaio de soluções. A interação permite que se crie uma situação de ajuda na qual as crianças avancem no seu processo de aprendizagem.